Ansiedade: quando a mente não desacelera

Por Malu — Maria Lucia Suchodolak, psicóloga clínica (CRP 08/47427)·6 min de leitura
Ansiedade: quando a mente não desacelera

Em essência

  • A ansiedade costuma ser a forma que corpo e mente encontram de dizer o que ainda não pôde ser dito em palavras.
  • Mais do que combater o sintoma, a clínica psicanalítica busca compreender a função que ele desempenha.
  • O Brasil é um dos países com maior prevalência de transtornos de ansiedade do mundo — você não está só.

Talvez você sinta que sua mente nunca desacelera. Preocupação constante, pensamentos que se atropelam, o corpo em alerta mesmo quando nada de errado está acontecendo. A dificuldade de descansar sem culpa. A sensação de estar sempre em dívida consigo mesmo.

Se você se reconhece nessa descrição, saiba: essa é uma das razões mais frequentes que levam pessoas a buscar ajuda — e o Brasil é, segundo a Organização Mundial da Saúde, um dos países com maior prevalência de transtornos de ansiedade do mundo.

O que a ansiedade está tentando dizer?

Na clínica psicanalítica, partimos de uma premissa que muda tudo: os sintomas possuem uma história. A ansiedade não surge por acaso. Ela expressa conflitos, formas de adaptação, vínculos e experiências que muitas vezes permanecem inconscientes.

Em vez de apenas combater o sintoma, buscamos compreender a função que ele desempenha na vida psíquica.

Para algumas pessoas, a ansiedade é o motor que as manteve produtivas — e amadas — desde a infância. Para outras, é o vigia que nunca dorme, formado em anos de imprevisibilidade. Para outras ainda, é a única forma que o corpo encontrou de protestar contra uma vida que deixou de caber.

Por que “técnicas para acalmar” às vezes não bastam

Exercícios de respiração e organização de rotina têm seu valor — e podem ajudar no manejo do dia a dia. Mas quando a ansiedade tem raízes profundas, tratá-la apenas na superfície é como enxugar o chão sem fechar a torneira.

A psicoterapia de orientação psicanalítica trabalha em outra camada: a da história emocional que dá sentido ao sintoma. Quando esses processos podem ser compreendidos, novas possibilidades de viver, relacionar-se e fazer escolhas tornam-se possíveis — e o sintoma, muitas vezes, deixa de ser necessário.

Quando procurar ajuda

Nem toda ansiedade exige tratamento — ela é, também, parte da vida. Mas vale considerar uma avaliação profissional quando ela começa a comprometer o sono, o trabalho, os relacionamentos ou a capacidade de sentir prazer nas coisas simples.

Você não precisa esperar a crise. E não precisa chegar sabendo explicar o que sente — esse é, justamente, o trabalho que fazemos juntos.

Perguntas frequentes sobre o tema

Ansiedade tem cura?

Ansiedade não é uma sentença — é uma experiência humana que, em excesso, produz sofrimento. A psicoterapia trabalha para compreender o que a sustenta e construir formas mais livres de viver. Falar em “cura garantida” não seria ético; falar em transformação consistente, sim.

Terapia substitui medicação?

São recursos diferentes e, muitas vezes, complementares. A avaliação sobre medicação é do médico psiquiatra. A psicoterapia trabalha a história e os processos emocionais que sustentam o sintoma — e pode caminhar junto com o acompanhamento psiquiátrico, quando necessário.

Este tema tocou algo em você?

A psicoterapia começa exatamente onde você está — sem precisar saber o que falar.

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